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                <journal-title>IVES Technical Reviews, vinha &amp; vinho</journal-title>
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                <article-title>De que forma o terroir molda a tipicidade aromática das uvas e dos vinhos (Parte II)</article-title>
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                <sup>
                    <italic>1</italic>
                </sup>EGFV, Univ. Bordeaux, Bordeaux Sciences Agro, INRAE, ISVV, F-33882 Villenave d’Ornon, France</aff>
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                <sup>
                    <italic>2</italic>
                </sup> Univ. Bordeaux, Bordeaux INP, Bordeaux Sciences Agro, UMR 1366 OENOLOGIE, ISVV, F-33140 Villenave d’Ornon, France </aff>
            <aff id="aff3">
                <sup>
                    <italic>3</italic>
                </sup>PPGV, Université de Toulouse, INP-PURPAN, 75 voie du TOEC, F-31076 Toulouse Cedex 3, France</aff>
            <aff id="aff4">
                <sup>
                    <italic>4</italic>
                </sup>Tonnellerie Seguin-Moreau, ZI Merpins, 16103 Cognac</aff>
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                        <given-names>Cornelisvan</given-names>
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                    <sup>
                        <italic>*</italic>
                    </sup>van Leeuwen, C., Barbe, J. C., Darriet, P., Geffroy, O., Gomès, E., Guillaumie, S., Helwi, P., Laboyrie, J., Lytra, G., Le Menn, N., Marchand, S., Picard., M., Pons., A., Schüttler A. &amp; Thibon, C. (2020). Recent advancements in understanding the terroir effect on aromas in grapes and wines. OENO One, 54(4), 985-1006. https://doi.org/10.20870/oeno-one.2020.54.4.3983</corresp>
            </author-notes>
            <abstract>
                <sec id="Abstract">
                    <title>Abstract</title>
                    <p>Ao longo das últimas décadas, grandes progressos têm sido alcançados na compreensão da base molecular dos aromas em uvas e vinhos. Estes aromas dependem da casta, mas também dos fatores ambientais envolvidos no chamado efeito <italic>«terroir»</italic>. Na primeira parte desta revisão, foi demonstrado como o efeito <italic>terroir</italic> pode ser decomposto em parâmetros mensuráveis do clima e do solo, nomeadamente a temperatura do ar, a radiação, e teor de azoto e o estado hídrico. O seu impacto nos aromas e na tipicidade do vinho está bem documentado na literatura científica. Na segunda parte desta revisão, são fornecidos exemplos sobre o efeito do <italic>terroir</italic> em três grandes variedades de castas tintas (<italic>Merlot, Cabernet-Sauvignon e Syrah</italic>) e duas variedades de castas brancas (<italic>Sauvignon blanc e Riesling</italic>). Também é discutido como os aromas do vinho podem ser otimizados através de práticas de gestão da vinha.</p>
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                </sec>
            </abstract>
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    <body>
        <sec id="Exemplos-de-perfis-aromáticos-relacionados-com-terroirs-específicos">
            <title>Exemplos de perfis aromáticos relacionados com terroirs específicos</title>
            <p>O <italic>Sauvignon blanc</italic> é cultivado sob uma ampla gama de condições climáticas e tipos de solo. O clima típico e fresco de produção do <italic>Sauvignon blanc</italic> é em Marlborough (Nova Zelândia), na região de Elgin (África do Sul) e Sancerre (França). As suas nuances aromáticas são moldadas por um delicado equilíbrio entre aromas verdes (pimento induzido por IBMP e madeira de buxo –<bold/>
                <italic>Buxus sempervirens</italic> por 4-MSP) e aromas frutados (toranja induzida por 3-SH e maracujá por 3-SHA). Exemplos de <italic>Sauvignon blanc</italic> de clima quente podem ser encontrados na Califórnia e na Austrália. O perfil aromático destes é dominado pelo maracujá ou, se a região for realmente quente, pela falta de expressão aromática. O arquétipo de <italic>Sauvignon blanc</italic> de clima frio é produzido no vale de Awatere (uma sub-região de Marlborough, Nova Zelândia). O perfil aromático é dominado por aromas verdes (espargos, buxo), associados à toranja. Bordeaux é uma importante região vinícola para o <italic>Sauvignon blanc</italic>, tendo em conta o seu clima temperado. O <italic>Sauvignon blanc</italic> mais expressivo é produzido nas partes mais frias da região de Bordeaux, em solos com capacidade média/ alta de retenção de água e médio/ alto teor de azoto.</p>
            <p>
                <italic>Merlot</italic> e <italic>Cabernet-Sauvignon</italic> cultivados em climas frios, ou com baixa radiação, podem ser verdes, devido à presença de IBMP. Um excesso de IBMP geralmente não é apreciado, embora alguns aromas verdes, como 1,8-cineole, possam fornecer a frescura da hortelã na expressão aroma. <italic>Merlot </italic>e<italic> Cabernet-Sauvignon</italic> cultivados em climas temperados expressam sabores frutados e desenvolvem um complexo leque de envelhecimento após alguns anos de armazenamento em garrafa. Estes caracteres positivos são induzidos por uma ampla gama de compostos, incluindo ésteres substituídos, tióis voláteis (em particular 3-SH) e DMS. A expressão aromática após o envelhecimento em garrafa é potenciada quando os vinhos são produzidos por vinhas com défices hídricos<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>. Demonstrou-se que estes vinhos contêm mais DMS e tabanonas. Em climas quentes, os vinhos das castas acima mencionadas podem expressar aromas a frutos secos, em particular quando produzidos a partir de <italic>Merlot</italic>. Alguns dos melhores vinhos de <italic>Cabernet-Sauvignon </italic>são produzidos em Margaux, Saint-Julien, Pauillac e Saint-Estèphe (Bordeaux, França). Na zona de Bordeaux, o <italic>Cabernet-Sauvignon</italic> amadurece no final da época, quando as temperaturas estão a diminuir, eliminando qualquer possível risco de aromas a frutos secos. Os solos de cascalho destas denominações induzem uma combinação interessante de défice hídrico moderado a grave, e abastecimento ilimitado de azoto às vinhas. Esta combinação de clima frio, défice hídrico e azoto ilimitado pode moldar belos leques de envelhecimento.</p>
            <p>A<italic> Syrah </italic>pode expressar diferentes identidades aromáticas dependendo do clima. Em vinhedos de clima frio, como os do norte do vale do Ródano, em França, da região de Grampians de Victoria, na Austrália, ou da área de Hawke's Bay na Nova Zelândia, a <italic>Syrah</italic> expressa aromas apimentados muito intensos, induzidos pela presença de (-)-rotundona. Em climas mais quentes (ou seja, vinhas não originarias aas partes costeiras da área de Languedoc ou no sul do vale do Ródano, em França, vale de Barossa na Austrália), a syrah é bastante marcada pela expressão de fruta madura, frutos secos, e aromas de azeitona preta. O DMS foi identificado como um dos principais contribuintes para estas notas. </p>
            <p>A tipicidade dos vinhos <italic>Riesling</italic> é moldada por várias nuances aromáticas, que refletem as condições de cultivo, em particular a temperatura e o estado hídrico da videira. Os vinhos típicos de climas frio <italic>Riesling</italic>, quando cultivados na Europa (por exemplo, Alemanha, Alsácia, Áustria), são marcados pelos aromas frutados induzidos por tióis voláteis, entre outros compostos, embora esta expressão possa mudar com o aumento das temperaturas. Garrafas com aroma envelhecido, especialmente em vinhos <italic>Riesling</italic> de climas mais quentes, como a Austrália ou a África do Sul, mas também dos Estados Unidos ou o Canadá, contém mais aromas semelhantes a querosene como resultado da presença da TDN. Quando o <italic>Riesling</italic> é cultivado sob alta radiação e elevados défices hídricos, a presença de orto-aminoacetofenona (AAP) pode levar a um envelhecimento atípico, em particular quando o teor azotado da videira é baixo.</p>
        </sec>
        <sec id="Gestão-da-expressão-aromática-induzida-pelo-terroir-da-vinha">
            <title>Gestão da expressão aromática induzida pelo terroir da vinha</title>
            <p>Os fatores do <italic>terroir </italic>(temperatura, radiação, água, azoto) induzem tipicidades aromáticas específicas. A escolha de material vegetal e de operações da vinha pode, no entanto, modular esta expressão. A presença excessiva de aromas verdes geralmente não é apreciada nos vinhos tintos. Frequentemente, são o resultado de baixas temperaturas durante o amadurecimento das uvas, baixa intensidade luminosa, fornecimento ilimitado de água e/ou fornecimento ilimitado de azoto. A presença de sabores verdes pode ser reduzida plantando variedades com maturação precoce (<italic>Merlot</italic> em vez <italic>de Cabernet-Sauvignon</italic>). Outra opção, é reduzir a disponibilidade de azoto plantando cultura de cobertura ou aumentando a exposição à luz por remoção de folhas (o que também aumentará a temperatura na zona do cacho). Em climas quentes, corre-se o risco de se produzirem vinhos tintos excessivamente marcados por aromas dominantes e "triviais" a frutos secos, o que reduz a frescura e a complexidade aromática. Estes podem ser limitados pela plantação de variedades de maturação tardia (<italic>Cabernet-Sauvignon</italic> em vez de <italic>Merlot</italic>). Outras opções são datas de colheita mais precoces, ou maior expressão vegetativa e vigor para expor cachos a luz solar menos direta. No <italic>Sauvignon blanc</italic>, a expressão da toranja pode ser facilmente melhorada pela fertilização do azoto (N) (quando a oferta de N no solo é limitada), seja através de aplicação foliar ou adições no solo<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref> <xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref>. Em climas quentes, ou em solos que induzem défices hídricos moderados a graves, as castas tintas devem ser preferidas ao <italic>Sauvignon blanc</italic> ou outras variedades brancas de maturação precoce para a produção de vinhos de alta qualidade. A temperatura e a luz dos bagos podem ser manipuladas através da gestão do dossel e da remoção das folhas. Os efeitos das escolhas varietais e das práticas de gestão para modular a expressão do aroma ligada ao <italic>terroir </italic>são resumidos no quadro 1. A data da colheita também tem um impacto importante na tipicidade do vinho<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref>. Uma extensa revisão sobre o efeito das práticas de gestão em compostos aromáticos em uvas e vinhos pode ser encontrada em Alem<italic> et al.,</italic> 2019<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref>.</p>
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            <p>
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                    <label>Table</label>
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                        <title>Tabela 1. Efeitos das escolhas varietais e práticas de gestão para modular a expressão aromática ligada ao terroir. As referências podem ser encontradas em van Leeuwen et al. 2020<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref>.</title>
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                    <title>Tabela 1. Efeitos das escolhas varietais e práticas de gestão para modular a expressão aromática ligada ao terroir. As referências podem ser encontradas em van Leeuwen et al. 2020<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref>.</title>
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        </sec>
        <sec id="Conclusão">
            <title>Conclusão</title>
            <p>A tipicidade do vinho em relação ao <italic>terroir</italic> é amplamente moldada por compostos odoríferos. Ao longo das últimas décadas, uma vasta literatura foi publicada tendo em conta a base molecular dos aromas do vinho. Muitos destes estudos relacionam perfis aromáticos específicos de cultivo e como estes são influenciados por fatores ambientais e práticas de gestão. Os principais efeitos da expressão do <italic>terroir </italic>são a temperatura do ar, a radiação, o fornecimento de água às vinhas e o estado do azotado da videira. Rever o efeito destes fatores nos compostos aromáticos proporciona uma melhor compreensão de como o <italic>terroir</italic> molda as tipicidades aromáticas. Com base neste conhecimento, a expressão do aroma pode ser otimizada através de escolhas varietais ou práticas de gestão.</p>
            <p/>
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                <label>1</label>
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            </fn>
            <fn id="fn2">
                <label>2</label>
                <p> Choné, X., Lavigne-Cruège, V., Tominaga, T., Van Leeuwen, C., Castagnède, C., Saucier, C., &amp; Dubourdieu, D. (2006). Effect of vine nitrogen status on grape aromatic potential: flavor precursors (S-cysteine conjugates), glutathione and phenolic content in Vitis vinifera L. Cv Sauvignon blanc grape juice. Journal International des Sciences de la Vigne et du Vin, 40(1), 1-6. https://doi.org/10.20870/oeno-one.2006.40.1.880</p>
            </fn>
            <fn id="fn3">
                <label>3</label>
                <p> Lacroux, F., Trégoat, O., van Leeuwen, C., Pons, A., Tominaga, T., Lavigne-Cruège, V., &amp; Dubourdieu, D. (2008). Effect of foliar nitrogen and sulphur application on aromatic expression of Vitis vinifera L. cv. Sauvignon blanc. Journal International des Sciences de la Vigne et du Vin, 42(3), 125–132. https://doi.org/10.20870/oeno-one.2008.42.3.816</p>
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                <label>4</label>
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